Quando foi eleita a mesa diretora da Câmara Municipal, integrada por PSDB, PT, PC do B e PTB, políticos experientes antecipavam que a união política não daria certo e, em pouco tempo, se despedaçaria. Estavam cobertos de razão. A união durou alguns meses apenas e na semana que passou veio ao conhecimento público o que todo mundo já sabia nos bastidores políticos da edilidade: a mesa diretora ruiu.
Todo o deslumbramento do casamento político e da lua de mel pela eleição para a direção da casa legislativa acabou com separação, denúncias de descumprimento de acordos, trocas de acusações e até possíveis ilegalidades cometidas pela presidência ocupada pelo vereador Raimundo Itaberaba(PSDB).
O comunista e primeiro secretário Gilmar Vieira da Silva(PC do B), que foi um dos principais articuladores do chamado Grupo dos Sete, que deu apoio e garantiu a eleição da atual mesa diretora, meteu a boca no trombone e teceu duras críticas ao presidente, pela maneira ditatorial como vem administrando o Legislativo. O vice-presidente Juca Bortolucci(PTB) engrossa a fila dos descontentes e reclama participação nas decisões da mesa.
O primeiro secretário denunciou que o acordo assumido com o grupo de apoio não está sendo cumprido. Demissões e contratações estão sendo feitas sem o conhecimento de todos os membros da mesa. Fez duras críticas à conduta da advogada Luciana Cia, que tem o respaldo dos vereadores do PT – foi uma indicação do deputado Antonio Mentor, a quem o assessorou em Americana – e do próprio presidente que, segundo ele, tem uma ligação muito forte com a profissional.
Cia é vista na Câmara como alguém que manda e desmanda, autoritária, arrogante, espécie de toda poderosa do Legislativo. Já foi chamada de “delegada”. Nada contra a pessoa, mas é a leitura da sua atividade profissional. É a advogada preferencial do presidente. Ela conduziu todas as sindicâncias instauradas pela Câmara, também criticadas pelo vereador Gilmar “que ligam o nada ao lugar nenhum”. Também participou intensamente no processo de cassação do ex-vereador Sérgio Camargo. O comunista denunciou atitudes “fascistas” adotadas pela presidência e pela advogada da casa. O clima entre os servidores é tenso e todos vivem situação de intranqüilidade e assédio moral, conforme afirmou o próprio vereador Gilmar. A prática do leva e trás permeia a edilidade, contribuindo para intrigas, confusão e discórdia. Até a lei da mordaça foi decretada na Câmara, onde os funcionários estão proibidos de falar qualquer coisa com a imprensa, num flagrante desrespeito à liberdade de expressão e de pensamento das pessoas. Perguntem aos vigias por que a lei da mordaça? Conversas nos corredores são monitoradas a todo instante, porque desconfiam de todo mundo.
Afinal, quem manda na Câmara? É o presidente ou o PT? Como precisa do apoio de um secretário para dar validade aos atos da mesa, Itaberaba escolheu o PT como aliado. A crise no Legislativo vem se agravando porque falta ao presidente tino político e experiência administrativa. Ele também não é o culpado. O cargo de presidente, afinal, caiu-lhe no colo durante a aliança mal costurada para poder ganhar a eleição.
Por ser um homem de origem simples e humilde, família numerosa e pobre, Itaberaba deveria dirigir a Câmara Municipal com humildade e respeito ao ser humano. Mas faz exatamente o contrário, com autoritarismo, prepotência e arrogância, típico de alguém a quem o poder lhe subiu à cabeça. Não está preparado para o cargo. Faltam-lhe equilíbrio, bom senso e decisão firme, para devolver à casa um clima de paz e tranqüilidade, ao menos no que se refere à parte administrativa, para que os trabalhos fluam naturalmente.
A mesa foi eleita com discurso de abrir a Câmara para participação popular, melhorar a imagem do Legislativo, oferecer maior estrutura aos trabalhos dos vereadores, mas pouca coisa avançou nesses 10 meses. Teve, sim, muita turbulência. É muita reunião e pouco resultado prático. Não há a democracia tão propalada e defendida pela direção da casa.
Os membros da mesa atuaram até agora como verdadeiros “auditores fiscais”, vasculhando caixas e mais caixas da contabilidade, em trabalho incansável de cedo à noite, em busca do menor deslize para incriminar desafetos. E conseguiram. Alijaram Sérgio Camargo e agora a espingarda está mirada para o vereador Darci Simões. Algumas pessoas estão dizendo na cidade que eles não são vereadores e, sim, “cassadores”.
Sentimentos de rancor, vingança e perseguição não contribuem em nada. Esqueçam o passado, mostrem trabalho, construam o futuro. Senão não haverá tempo para colocar em prática os projetos anunciados. Melhorar a imagem da Câmara é muito mais do que uniformizar servidores. Dentro de belas roupas há um servidor apreensivo e com medo.
Hoje a Câmara se compara a um carro desgovernado, fora da linha, sem motorista. Ou melhor: tem motorista mas dirige mal. Mas nunca é tarde para mudar, é só querer. Nessa curta vida política – apenas quatro anos para alguns – as pessoas colhem o que plantam. Por isso, não podem ser dominadas pela vaidade e serem radicais, agressivas ou egocêntricas. As autoridades justas são como uma benção para o povo e produzem vida; mas as autoridades injustas são como espinheiros e serão rejeitadas e destruídas pelo próprio povo.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
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