Tem muitas datas que marcam a vida da gente. Para uns, o dia da primeira comunhão, da formatura, do primeiro emprego, do casamento, do nascimento dos filhos, etc. Claro, todos são importantes e merecem ser lembrados. Mas quero falar do dia 1º de setembro de 1983, lá se vão 27 anos. Um dia triste na minha vida iniciante de radialista após ter resolvido definitivamente seguir minha profissão de comunicador social e deixado o trabalho em fábrica. Um acidente de moto quase ceifou a minha vida. Quase... Por que Deus me salvou.
O Jornal O Liberal, de Americana, dois dias após o acidente, estampava a seguinte notícia, escrita pelo meu amigo Bargas Filho (vim conhecê-lo anos depois na imprensa). Radialista cai da moto da SP-304: internado na UTI. "O radialista Roberto Miamoto, de 21 anos, integrante da equipe de esportes da Rádio Brasil de Santa Bárbara d'Oeste, teve de ser internado em estado grave na noite de anteontem e até 20horas de ontem permanecia na UTI do Hospital São Francisco. Roberto Miamoto caiu de sua moto Honda GC 125, vermelha, RG 768 quando trafegava pela SP-304 (Variante Anhanguera-Piracicaba).
Conforme o boletim de ocorrência, o radialista retornava de Santa Bárbara, quando na altura do km 130 da rodovia, perdeu o controle do veículo indo cair no acostamento. Com ferimentos graves ele permaneceu alguns minutos até ser socorrido por um morador.
Roberto Miamoto, atualmente no Plantão Esportivo da Rádio Brasil, trabalhou na Rádio Clube de Americana como repórter. Na noite de anteontem, acabara de sair da emissora barbarense quando sofreu o acidente. Ontem ele permanecia na UTI do Hospital São Francisco e seu estado era considerado delicado".
Nesse "aniversário" de acidente quero agradecer a Deus e à Virgem Santíssima por terem me protegido e me salvado, à minha família - meus pais Tereza e João de eterna saudade, meus irmãos, meus amigos, conhecidos e até pessoas que sequer as conhecia. Muita gente rezou por mim. Foram 62 dias internados do HSF, umas duas semanas de UTI e mais de 11 meses sem poder trabalhar e um ano de atraso nos estudos da faculdade.
Agradeço, também, ao corpo clínico que me atendeu, especialmente aos médicos José Roberto Rezende Vasconcelos, Antonio Luchesi, Arley Bortoleto e Laércio Botasso, além do pessoal da enfermagem. Confesso, foi um período de aprendizado-viver, difícil, mas que me fez crescer espiritualmente e pessoalmente. Hoje, com certeza, sou mais humano e mais sensível às coisas da vida... Carrego marcas do acidente até hoje e, certamente, para sempre. Nunca mais me atrevi andar de moto, talvez por trauma. E uma moto que havia ganhado na rifa feito por um colega da tinturaria para a qual trabalhava na época, alguns meses antes de ir trabalhar na Rádio Brasil.
Por tudo isso, o dia 1º de setembro deixou marcas na minha vida. Desde lá, tenho buscado aprender com essas marcas para me tornar uma pessoa melhor. Ah! Estava esquecendo de alguém que foi fundamental para minha sobrevivência. Uma pessoa - chama Ivan Denadai - que vendia lanches em cima do viaduto da Avenida Cillos que, juntamente com pessoas de uma perua Kombi, me socorreu até ao hospital. Denadai, hoje, tem comércio de lanches no Parque Novo Mundo, em Americana. Preciso, um dia, passar em seu trailler para agradecê-lo pela atitude solidária que teve para comigo e, de quebra, experimentar o seu gostoso lanche.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
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